19 de abril de 2013

A mágica nacional é isso????

Definitivamente não.
Pensei muito sobre gastar um tempo e palavras sobre o ocorrido no Rio de Janeiro onde o mágico Rodrigo Valadares protagoniza uma das cenas mais bizarras do mundo do entretenimento infantil enfim resolvi falar.
Acredito que um artista já bem estabelecido, com certa experiência e tempo de trabalho já é capaz de compreender qual é o seu melhor campo de trabalho, qual é o seu público alvo, aquele que se enquadra mais e então poder definir assim uma linha de trabalho. Existem mágicos que só fazem close-up, outros apenas salão, alguns são mágicos para televisão, outros fazem mágicas para adultos e enfim um seleto grupo muito admirado é o que trabalha com público infantil.
Digo "muito admirado" pois só quem trabalha ou já trabalhou com crianças sabe o grau de responsabilidade e profissionalismo que se deve ter para fazer um bom trabalho com essa clientela muito exigente. Se o mágico, depois de um certo tempo, já sabe que não leva jeito com um tipo de público, o que o faz aceitar trabalhos assim? Dinheiro? Irresponsabilidade? Falta de profissionalismo? Acredito que tudo isso junto. Faço muitos shows infantis, na verdade são a maioria e tomo muito cuidado em todos os detalhes, pois sei que qualquer deslize é irreversível, não bastando a experiência prática como mágico que tenho, sempre busco entender mais sobre esse mundo tão complexo das crianças, me formei em Pedagogia, fiz curso de psicologia infantil justamente para tentar compreender aquilo que elas gostam, admiram e procuram. Quando se fala em show para crianças o cuidado com a escolha do repertório, das piadas, brincadeiras e vocabulário são itens essenciais e jamais devem ser deixados de lado.
No caso desse ococrrido, desde o início é posível perceber que a classificação do show não estava bem direcionado para um público família, mesmo que a maioria sejam adultos e existam apenas 5 ou 6 crianças presentes é com elas que devemos ter mais cuidado, pois os adultos compreendem e releva
m as coisas de um jeito mais fácil, já a criança não.
A linguagem utilizada deve ser a mais simples e pura possível, mesmo que a televisão apresente um conteúdo inadequado e sujo, nós artistas não devemos cair nessa e buscar criar coisas novas, engraçadas sem precisar apelar, sou a prova viva que para um show ter humor não é preciso falar palavrão, usar gestos obscenos, ou zoar com a cara de ninguém, claro que montar um trabalho assim é mais difícil o caminho é mais sofrido, porém o resultado é compensador. Para o Valadares não tenho nada a dizer, pois sei que ele também deve estar sofrendo muito com isso, pois antes de ser mágico ele também é um homem com sentimentos e noção de certo e errado. Sabemos que esse fato denigre a imagem dos mágicos, isso é fato, mas ao mesmo tempo fico triste em ver que dezenas de bons profissionais têm se destacado no cenário da mágica nacional, com novas criações, shows incríveis e o máximo que vemos é um: "Parabéns", já quando surge um fato negativo na mágica nacional é tema das conversas, discussões, e até de jornais é triste ver que o errado é mais valorizado do que o certo, que o feio é mais comentado que o bonito.
Sei que muitos mágicos leem esse blog e aqui faço um humilde pedido: Vamos valorizar mais as coisas boas de nossa arte e não dar tanto ibope para as podridões que existem, não estou dizendo que deve ser acobertado ou jogado um pano frio, essas coisas devem ser mostradas, alertadas e repreendidas, mas como o mesmo entusiasmo que jogamos as pedras, vamos lançar flores quando necessário.


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